Leitura em hospitais
Introdução:
Uma vez internada a criança ou o adulto são afastadas do seio familiar, dos brinquedos, dos amigos e da escola. Segundo estudos a hospitalização prolongada afasta as crianças ou o adulto da família e da escola e pode excluí-las também da possibilidade de contato com o universo imaginário. A falta do contato com a leitura, ou com familiares, neste período estas pessoas são cruciais para o paciente, pois durante este período fica á mercê dos médicos enfermeiras e medicamentos
A identidade de ser criança é, muitas vezes, diluída numa situação de internação, em que a criança se vê numa realidade diferente da sua vida cotidiana. O papel de ser criança é sufocado pelas rotinas e práticas hospitalares que tratam a criança como paciente, como aquele que inspira e necessita de cuidados médicos, que precisa ficar imobilizado e que parece alheio aos acontecimentos ao seu redor.
Segundo (Biermann, 1980), A hospitalização, em determinadas situações, constitui um risco igual ou maior que aquele da própria doença que a originou. (Spitz, 1946), descreve a síndrome do hospitalismo (grave depressão e isolamento afetivo). Desta forma, a mediação de leitura deve ser propostas às crianças todas as idades, aos jovens e seus pais, e é preciso incluir esta ação cultural em situações cotidianas em períodos de espera, em momentos transitórios ou livres do atendimento às crianças e aos adultos nos hospitais. Pois, tanto o adulto quanto as crianças internadas recebem tratamentos medicinais que são curativos do físico, em alguns ambientes o sujeito não tem contato nenhum com algum tipo de leitura, seja esta recreativa ou não. Deste modo ficam em um estado semi-mórbido, situação em que o paciente dorme e recebe medicação, salvo os dias ou horários estipulados para visitas. Quando abordamos este assunto, não estamos pensando somente naquelas pessoas que são internadas por sistemas como SUS e indigência, pessoas que tem um acesso menor aos livros, mas preocupamos também com aquelas internadas em quartos particulares, pois na mesma medida elas são privadas do contato com a leitura.
Sendo assim acredita-se esse afastamento gera um sentimento de culpa, desenvolvendo fobias, depressão, hiperatividade e por vezes perdendo até o seu referencial. A depressão geralmente se dá com mais freqüência no adulto que fica por muito tempo hospitalizado.
Pois , acreditamos ser a humanização alcançada em ambiente hospitalar, através deste atendimento, um exemplo a ser perseguido porque mesmo doente, a criança precisa brincar. Acredita-se que lendo e contando histórias, também estamos ampliando seu repertório, seu universo intelectual e sua formação como leitor. Permitir ao paciente em diferentes faixas etária, culturais ou sociais poder falar das histórias, se identificar com personagens, rir e se emocionar com os contos, painéis e com as imagens contidas nos livros, proporciona a criança um espaço para imaginar a brincar; e ao adulto á sorrir e acreditar na sua cura, mesmo imobilizada.
O trabalho com literatura infantil tem-se mostrado um recurso significativo e muito utilizado no universo hospitalar, entretanto percebe-se que a inexistência de uma leitura prazerosa se faz presente em diferentes ambientes; e principalmente nos hospitais, pois estes ainda não estão preparados para prestação deste tipo de serviço. Diante de tal situação vê-se a importância em desenvolver um projeto de leitura com estas pessoas que estão internadas, ressaltando que este deverá ser para a promoção da saúde do paciente. Os livros são apresentados à criança ou ao adulto podendo despertar ou não interesse pela história. E cabe ao mediador respeitar a sua vontade e o tempo em que ela deseja para ouvir as histórias. A literatura infantil no hospital a cada dia vez se expandindo e tem sido utilizada com múltiplos sentidos: terapêutico, educativo, lúdico e de caráter de formação pessoal e intelectual.
Objetivos do Projeto:
· Promover a reconstituição de um espaço de vitalidade, de preservação e de desenvolvimento da saúde psíquica para as crianças em situação de internação hospitalar ou atendimento ambulatorial.
· Facilitar a integração das crianças e seus familiares com o corpo funcional do hospital através da mediação de leitura;
· Possibilitar que crianças e jovens em situação de internação hospitalar tenham acesso a livros de qualidade e a leitura mediada;
· Aumentar a aceitabilidade da criança ao tratamento e a situação de internação hospitalar;
· ·Promover situações estimuladoras ao processo de cura da criança;
· Garantir, a reconstituição de um espaço de vitalidade no que se refere não apenas à doença;
· Propiciar o alívio de tensões e mudanças favoráveis no quadro psicológico das crianças;
· ·Ampliar os espaços onde a leitura seja oferecida para as populações com menos acesso a livros e menores possibilidades de aquisição dos mesmos;
· ·Propor a leitura como forma de prazer favorecendo assim a familiarização com os livros.
NIZHA.
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